REDUÇÃO DE DANOS
Entre os objetivos da estratégia do UNAIDS para 2015, um deles é prevenir todas as novas infecções por HIV entre os usuários de drogas.
Calcula-se que no mundo todo há 3 milhões de usuários de drogas injetáveis que vivem com HIV; ao mesmo tempo, mais 13 milhões correm o risco de se infectarem. O acesso aos serviços de prevenção e aos programas de redução de danos aumentou, mas não chega aos níveis necessários. A média de cobertura dos serviços de prevenção do HIV era de 32%.
No mundo inteiro se estima que, como média, cada usuário de drogas injetáveis dispõe de menos de duas agulhas esterilizadas por mês e que por cada oito pessoas que fazem a terapia de substituição de opiáceos, 100 continuam se injetando drogas. Segundo as orientações da OMS, do UNODC e do UNAIDS, dispor de menos de 100 seringas por usuário é uma cifra baixa.
São poucos os países que contam com dados sobre a cobertura do tratamento do HIV para usuários de drogas injetáveis soropositivos. 14 países oferecem tratamento a 5% ou menos desses usuários, enquanto que só em nove países esta cifra supera 10%.
O UNAIDS pede que os programas integrais sejam ampliados, contrastados e que respeitem os direitos humanos para que todos os usuários de drogas injetáveis possam ter acesso a eles (por exemplo, oferecendo medidas de redução de danos junto com uma diminuição da demanda), assim como iniciativas para reduzir a infecção por hepatite, aumentar o acesso ao tratamento, e garantir que os quadros jurídicos e políticos sirvam aos esforços de prevenção do HIV.
Fuente: http://www.unaids.org/es/strategygoalsby2015/injectingdruguseandhiv/
O que significa "Redução de Danos"?
Fonte: www.intercambios.org.ar
A redução de danos – em alguns países chamada redução do risco ou minimização dos danos – é uma estratégia de abordagem dos danos potenciais relacionados com o uso de drogas.
O primeiro objetivo é diminuir os efeitos negativos produto do uso de drogas e, a partir disso, melhorar a qualidade de vida dos usuários.
As estratégias de redução danos se ocuparam não só das práticas individuais, mas também de compreender as condições de vulnerabilidade dos sujeitos para desenvolver intervenções apropriadas e estabelecer relações específicas de cuidado e reciprocidade entre os indivíduos e os grupos nos contextos de uso de drogas.
Alguns programas desenvolvem ações para comprometer outros habitantes do território nos que intervêm (vizinhos, militantes sociais ou instituições públicas como as escolas ou os centros de atenção sanitária) na transformação de situações de padecimento que os afetam.
Origens e táticas
A origem do conceito de redução de danos provém da Holanda, na década de ’70, quando apareceram alternativas profissionais identificadas com a perspectiva do usuário de drogas, denominadas “modelo da aceitação”. Ao final dos anos 80 começou a ser utilizado na região de Merseyside (Inglaterra), em resposta a dois fatores principais:
Uma estratégia de redução de danos pode envolver uma ampla variedade de táticas. Pode incluir a alteração das sanções legais associadas ao uso de drogas; pode melhorar o acesso dos usuários de drogas aos serviços de tratamento; pode gerar serviços diretos para os usuários de drogas e suas redes sociais nas comunidades; pode inclinar-se a uma mudança na conduta dos usuários de drogas por meio da educação; também pode estar dirigida a modificar a percepção social com respeito às drogas e aos usuários de drogas.
Como reduzir os danos?
As estratégias de intervenção que se desprendem da política redução de danos se caracterizam por:
Essas estratégias dão lugar a vários tipos de ações que podem ser implementadas conjunta ou separadamente, de acordo com as realidades de cada comunidade. Entre as mais comuns, destacam-se:
A DECLARAÇÃO DE VIENA
A penalização dos consumidores de drogas ilícitas está fomentando a epidemia de HIV com consequências sociais e de saúde fortemente negativas. É preciso uma reorientação completa da política.
Em resposta aos danos sociais e de saúde produzidos pelas drogas ilícitas, foi desenvolvido, com o auspício das Nações Unidas, um grande regime internacional de proibição de drogas. Décadas de pesquisa proporcionam uma extensa avaliação dos impactos da “Guerra às drogas” global; e enquanto milhares de indivíduos se reúnem em Viena na XVIII Conferência Internacional sobre AIDS, a comunidade científica internacional pede um reconhecimento das limitações e prejuízos da proibição de drogas, e uma reforma da política de drogas para retirar barreiras para uma efetiva prevenção do HIV, tratamento e cuidados.
A prova de que a aplicação da lei fracassou em evitar a disponibilidade de drogas ilegais nas comunidades onde há demanda agora é inequívoca. Durante as últimas décadas, sistemas de vigilância de drogas, nacionais e internacionais, demonstraram um modelo geral de diminuição do preço da droga e o aumento de sua pureza – apesar dos maciços investimentos na aplicação de leis antidrogas.
Mais ainda, não há evidência de que uma maior ferocidade na aplicação da lei reduza significativamente a prevalência no uso de drogas. Os dados também demonstram claramente que está crescendo o número de países onde drogas ilegais são injetadas, sendo as mulheres e as crianças cada vez mais afetadas.6 Fora da África Subsaariana, a injeção de drogas representa aproximadamente um em cada três novos casos de HIV. Em algumas áreas onde o HIV está se estendendo mais rapidamente, tais como na. Europa Oriental e Ásia Central, o predomínio de HIV pode chegar até 70% entre pessoas que se injetam drogas, e em outras áreas, mais de 80% de todos os casos de HIV estão dentro desse grupo.
Levando em consideração a enorme evidência de que a aplicação da lei antidrogas não conseguiu alcançar os objetivos indicados, é importante que suas consequências nocivas sejam admitidas e enfrentadas. Essas consequências incluem, mas não se limitam a:
Infelizmente, esse evidente fracasso da proibição de drogas em obter os objetivos indicados, bem como as severas consequências negativas dessas políticas são frequentemente não reconhecidos por aqueles que têm interesses criados em manter o status quo. Isso produz confusão entre o público e custou inúmeras vidas. Os governos e as organizações internacionais têm a obrigação moral e legal de reagir frente a essa crise, e devem tentar promulgar estratégias alternativas, baseadas em evidências, que reduzam de forma efetiva os danos das drogas sem criar prejuízos próprios. Nós, os abaixo assinantes, apelamos aos governos e às organizações internacionais, incluindo as Nações Unidas, para que:
Também apelamos ao Secretário Geral das Nações Unidas, Sr. Ban Ki-moon, para que, com urgência, implemente medidas que assegurem que o sistema das Nações Unidas – incluindo a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes- tenham uma só voz em apoio à desaplicação da pena aos consumidores de drogas e à implementação de estratégias, baseadas em evidências para controlar a droga.
O fato de fundamentar as políticas de drogas em evidências científicas não eliminará o consumo de drogas ou os problemas derivados da injeção de drogas. No entanto, a reorientação de políticas de drogas para estratégias fundamentadas em evidências, que respeitem, protejam e cumpram com os direitos humanos tem a potencialidade de reduzir os danos das atuais políticas e permitiria reorientar vastos recursos financeiros à ações mais necessárias: implementar e avaliar a prevenção baseada em provas , regulamentação e programas de tratamento e redução de danos.
A ICW GLOBAL já assinou A DECLARAÇÃO. Se você estiver interessado em dar o seu apoio, pode fazê-lo aqui:
http://org2.democracyinaction.org/o/6452/p/dia/action/public/?action_KEY=3398